segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sobrevivente da II Guerra Mundial conta como a música a ajudou superar as perdas e recomeçar uma nova vida no Brasil.

Por Marcos Santos
Foto: Marcos Santos

Sarah Lewin nasceu na Polônia em 1926, mas, viveu no país até o terceiro ano de vida. Passou a infância e adolescência na Bélgica. Aos seis anos ela conhece uma vizinha que tinha um piano no qual a filha estudava e, a partir daí a menina Sarah começa a se interessar pela música, porém, a família sem condições financeiras não tinha como investir na criança. Entretanto, sua vizinha percebendo o dom da pequena, a matriculou para ter  aulas de piano  juntas, ela e a filha. Sua família aceitou a ajuda daquela vizinha que pagava as aulas para a menina.  Aos onze anos, já conhecendo bem de música entrou para o conservatório musical no qual tinha aulas de terças e quintas com a professora Madame Du Pont. Aos domingos se reunia com os alunos no anfiteatro da cidade de Liége para acompanhar os concertos cujos repertórios eram escolhidos dos clássicos de Baah, Beethoven, Frédéric Chopin entre outros. Porém, o sonho de ser concertista foi interrompido pela guerra em meados da década de 1940. A partir daquela data a vida da adolescente Sarah se resumiu em fugas para tentar sobreviver do terrível massacre que chocou o mundo.
De família judia, aos  14 anos teve que imigrar forçadamente para Marseille na França com a família, parentes e vizinhos por causa da invasão dos soldados alemães. Apesar de o local ter sido construído pelos franceses para abrigar os judeus refugiados, o ambiente era hostil e, portanto, as condições de vida eram extremamente precárias: sem saneamento básico, alimentação e infra-estrutura totalmente inadequadas e desumanas.
Foto reprodução do Google.

A Segunda Guerra iniciou-se, em setembro de 1939 e foi até 1945. O país escolhido para a invasão foi à Polônia pela Alemanha nazista comandada por Adolf Hitler e, de acordo com registros, esse trágico e desumano acontecimento deixou mais de seis milhões de judeus mortos, dos quais, amigos e parentes de Sarah Lewin-88 anos, levados para os campos de concentração fazem parte dessa terrível estatística do terror. O Holocausto, como ficou conhecido este horrendo evento, até hoje serve de inspiração para grandes produções hollywoodianas e literatura como: A menina que roubava livros, O pianista, O menino do pijama listrado, Hitler, Um sinal de esperança, O grande ditador, entre outros. Dona Sarah conta nesta entrevista realizada pelo Sindicado dos Músicos no Estado de São Paulo, como conseguiu superar os terríveis momentos de dor ao ver suas amigas de infância desaparecerem da noite pro dia sem nenhuma explicação. Conta também do sumiço do pai que fora levado para campos de concentração com a promessa de que iria trabalhar na França para o exército de Hitler, porém, após anos desaparecido, sua mãe recebe atestado de óbito dando conta de que ele havia morrido num numa câmara de gás.
Foto reprodução do Google.
Foto reprodução Google
 
Foto reprodução Google




Sindmussp-  Quando e como começou a guerra para vocês?

Sarah Lewin- Eu já era adolescente e na madrugada do dia 10 de maio de 1940 ,  acordei assustada  e vi  as  luzes da casa  todas acesas  e não entendi  nada. Porém, pensei que já estava na hora de levantar para ir à escola.  Minha mãe foi até o meu quarto,  desesperada e disse: levanta rápido!  Nós vamos sair de casa porque o exército de Hitler está vindo invadir a Bélgica. Já arrumei as malas.  Não imaginávamos que a guerra pudesse chegar naquela cidade. Ouvimos rumores da guerra, porém estávamos despreocupados achando que não ia chegar até a cidade onde estávamos.

Sindmussp- Como foi que vocês conseguiram fugir dos soldados?

Sarah Lewin – Cada um pegou uma mala, fechamos a casa. Eu, minha mãe e meu  pai fugimos pelo mato até chegar à estação do trem.  A estação já estava lotada de judeus e não judeus e, no meio do tumulto conseguimos embarcar num vagão de cargas. Fomos levados para um campo de refugiados em Marseille na França já na fronteira com a  Espanha. Lá ficamos nove meses em campos de refugiados vivendo da pior  maneira possível. Fiquei muito doente e pra não morrer, meu pai ficou sabendo que a vida voltara ao normal na Bélgica e então, resolveu voltar.

Sindmussp:  Com as fronteiras totalmente cercadas pelo exército de Hitler, como  vocês conseguiram voltar?

Sarah Lewin: Meu pai pagou uma pessoa para nos atravessar escondidos pelo mato, porque os soldados cercaram todas as fronteiras, porém, os alemães já sabiam desse atalho e nos pegaram. Passamos a noite presos no quartel e pela manhã, fomos obrigados a voltar para o campo de refugiados em Marseille, entretanto, nos deixaram na fronteira próximos do campo. Meu pai ainda tinha algum dinheiro e novamente, pagou outra pessoa para nos atravessar. Finalmente, conseguimos fugir e chegamos em casa as 23h.

Sindmussp: A casa estava revirada ou destruída quando chegaram?

Sarah Lewin: Estava tudo do mesmo jeito que havíamos deixado. Os vizinhos cuidaram das nossas coisas. Então a nossa vida parecia ter voltado ao normal, meu pai voltou a trabalhar na mesma metalúrgica de antes.  Tudo parecia estar tranqüilo, porém, um belo dia, os alemães foram na minha casa e entregaram uma carta ao meu pai dizendo que todo chefe de família judeu que aceitasse trabalhar na França para os alemães por três meses, além de receber salário, eles deixariam as famílias em paz.  Meu pai acreditou e aceitou a proposta.  Mas, três meses se passaram e nunca mais tivemos notícia dele.  Depois de algum tempo descobrimos que fomos enganados. Meu pai foi levado para a Alemanha e morto em um campo de concentração.

Sindmussp: Como ficou a vida de vocês depois desse triste acontecimento?

Sarah Lewin: Nossa vida ficou muito difícil e complicada. Nós éramos obrigadas como todo judeu, a usar um broche em formato de estrela de Davi como identificação.  Quem não usava era morto pelos soldados.  Minha professora de piano com medo de acontecer alguma coisa comigo, achou melhor eu não ir mais à casa dela porque os soldados poderiam me prender a qualquer momento.  Ela sabia do perigo que eu estava correndo, até porque, tinha dois filhos que foram alistados no exército alemão e voltaram da guerra muito feridos.  Algum tempo depois enquanto estávamos dormindo, os soldados alemães chegaram á minha casa fortemente armados com metralhadoras e bateram na porta violentamente. Assustadas, nos arrumamos rápido e minha mãe abriu a porta e, já sabia que seríamos levadas. As malas já ficavam  prontas. Eles queriam levar também a filha da vizinha que sempre dormia em casa, porém, ela era italiana e então os soldados a deixaram ir.

Sindmussp: Para onde vocês foram levadas?

Sarah Lewin: Fomos levadas para um quartel próximo ao bairro onde morávamos. Passamos a noite em pé juntas com outras a famílias de judeus que já estavam lá com suas malinhas aguardando o seu destino cruel. Nós, e várias pessoas recebemos uma carta que, supostamente dava direito a trabalhar nas fábricas de munição. No outro dia foi feita a seleção dos que tinham a carta e dos que não tinham.  As pessoas que tinham a carta puderam voltar às suas casas, mas, quem não tinha foi levado direto para a câmara de gás.  Aquela carta na verdade não era um encaminhamento para trabalhar e sim uma farsa para para não chamar  a atenção dos que seriam mortos.  Depois daquele triste dia, nunca mais vi minhas amigas e seus familiares. Passadas duas semanas, eles voltaram para nos prender, mas conseguimos fugir antes. Ficamos perambulando pela cidade e, um militante da resistência belga contra os alemães se aproximou enquanto lanchávamos em um bar. Pensamos ser um soldado alemão, porém, ele se identificou  e nos abrigou em sua casa. Ali passamos a noite.  No dia seguinte ele nos levou à um esconderijo perto de onde morávamos nos fundos da casa de um casal de idosos.  Minha mãe aproveitou e foi até a minha residência pegar alguma coisa, mas chegando lá a casa estava toda revirada e vazia.  Até o meu piano que meu pai havia comprado com todo sacrifício, eles retiraram pela janela. Levaram tudo. Na edícula onde ficamos, além de nós, esse casal de idosos abrigou outros judeus. Lá, estávamos seguros e os soldados jamais desconfiariam que tivesse povo judeu ali.

Sindmussp: Por quanto tempo a senhora ficou escondida naquela edícula?

Sarah Lewin – Ficamos na casinha dos idosos até terminar a guerra, aproximadamente dois anos. Passamos por muitas necessidades e revoltada com aquela situação resolvi ser uma militante belga e me juntei a eles.  Depois, eu e minha mãe tivemos de enfrentar outra guerra: os traumas e fantasmas da guerra me deixaram com sérios problemas emocionais e psicológicos. Eu não conseguia dormir sossegada porque pensava nas minhas amigas, meu pai, e acordava no meio da noite gritando e muito assustada. Minha mãe mandava eu parar de gritar senão ia incomodar os vizinhos.

Sindmussp: Quando finalmente a jovem Sarah pôde sentir que a guerra havia acabado definitivamente,  fora e dentro dela?

Sarah Lewin: Muito difícil achar uma resposta, mas, possivelmente foi quando eu casei. Meu marido resolveu vir para o Brasil com medo de estourar outra guerra. Eu não quis sair da Bélgica porque não conhecia nada do Brasil. Só ouvia falar do Rio de Janeiro por causa da Carmem Miranda (risadas). Para mim só existia essa cidade. Não sabia que existia São Paulo, mas mesmo sem concordar muito, partimos. Eu já tinha meus dois filhos ainda pequenos e partimos para cá.

Sindmussp: Qual foi a reação da senhora quando chegou ao Brasil?

Sarah Lewin: Foi muito estranho, não sabíamos nada do idioma e muito menos aonde íamos morar. Chegamos ao Brasil em dezembro de 1956. Eu, meu marido e meus dois filhos: Daniel (4) e Gabriel de um ano e seis meses.  Minha mãe só  veio um ano depois.  Viemos de navio até o porto de Santos e depois trazidos de trem até o bairro do Bom Retiro no centro de São Paulo porque sabíamos que lá  havia muitos judeus. Passamos a noite em uma pensão cheia de pulgas. Daniel ficou doente e com o corpo todo ferido das mordidas das pulgas e gastamos o pouco do dinheiro que havíamos trazido, com o tratamento que durou seis meses.  Passamos por muitas dificuldades, doenças e até fome.  Pra ajudar o meu marido, eu comecei  vender roupas para um judeu  de porta em porta, mesmo sem saber falar português, infelizmente, levei muito calote.  Meu marido conseguiu emprego de vendedor de livros na Livraria Britânica e as coisas começaram há melhorar um pouco e até conseguimos alugar uma casa.

Sindmussp: Quando foi que o piano voltou a fazer parte da sua vida?

Sarah Lewin: Quando minha mãe veio morar conosco. Ela nos ajudou a comprar uma casa com o dinheiro que recebeu do governo da Bélgica pela morte do meu pai. Daí, parei de vender roupas e coloquei um anuncio no jornal para dar aulas de piano e ajudar o meu marido pagar a casa porque o dinheiro que minha mãe trouxe só deu para dar a entrada. Minha primeira aluna era francesa e me ensinou falar português em troca das aulas de piano. O piano era alugado e  logo os alunos foram chegando. Porém, um belo dia enquanto eu dava aula, recebi a visita de um fiscal da Ordem dos Músicos do Brasil. Minha vizinha havia me denunciado e tive de pagar multa por não ter a carteirinha.Eu nem sabia disso, mas regularizei a minha situação e me filiei à OMB e ao sindicato em 1966.  E continuei dando aula. Consegui comprar esse piano o qual já estou com ele há quase 50 anos.  As aulas começavam as 08h e iam até as 18h. Às vezes eu não parava nem para almoçar.  Quando tudo parecia estar indo tudo bem, meu marido ficou muito doente e teve de ser operado às pressas  de uma grave infecção na bexiga. Devido a doença, ele começou a faltar muito ao trabalho e  foi mandado embora da livraria Britânica. Daí,  a nossa vida e a situação financeira piorou e tivemos que vender a casa. Com o seu estado emocional super abalado e as  dificuldades financeiras, a doença do meu marido voltou e não teve mais jeito. Morreu.  

Sindmussp: Sem o seu marido e endividada, como a senhora conseguiu sair dessa?

Sarah Lewin: Nessa época o Daniel já era casado e o Gabriel não, mas trabalhava e me ajudou muito, além da minha mãe também, que recebia uma aposentadoria da Bélgica todo mês e me dava o dinheiro para pagar as contas.  Após seis anos da morte do meu marido recebi outro golpe do destino: minha mãe nos deixou vítima de uma anemia crônica que evolui, provocando uma severa pneumonia e ela não resistiu, já que naquela época a medicina não era tão avançada.  Foi o momento mais difícil da minha vida porque eu e minha mãe éramos muito apegadas.  Era ela que me dava forças. Ela me ajudou a superar muitas dificuldades. Ela era tudo pra mim. Eu fiquei sem chão e foi muito difícil superar a perda e, até hoje eu sinto muita falta dela.  Já se passaram trinta anos e confesso que, se não fosse o meu piano, talvez eu não estaria mais aqui.  A música se tornou a minha razão de viver.
Foto: Marcos Santos
Sarah Lewin posando para foto com o maestro e professor Aluízio Pontes.
Foto: Marcos Santos
Apaixonada por literatura francesa, Sarah Lewin exibe livro de autor preferido.
 
Foto: Marcos Santos
Dona Sarah posa para foto ao lado do diretor Ronald Fonseca  acompanhada de colaboradores  e diretores do sindicato.





sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Da música às emoções- Um ensaio transdisciplinar .

William Paiva
RESUMO

Autor: William Paiva

Este estudo pretende levantar apontamentos e gerar reflexões sobre as relações causais da música no ser humano. Neste sentido, o texto busca objetivar dados consistentes para uma idéia que há muito se estuda, tornando-se tema central de discussões acadêmicas e científicas, de que a música desempenha um importante papel no desenvolvimento emocional do ser humano, e de que ela suscita no homem diversas emoções, trazendo assim, questionamentos e distintos conceitos a se estudar, averiguar e avaliar. Para isso, é importante que se contextualizem definições de música, assim como dos próprios conteúdos e engendramentos da emoção humana, sendo o dinamismo da intrincada relação destes dois complexos, o tema gerador deste escrito. O texto ainda busca estreitar tais articulações à recente musicoterapia, sendo esta uma área que estuda as relações entre música e ser humano, tirando do estudo dessas relações, potencialidades clínicas, de transformações, reabilitação, e promoção de saúde a partir de intervenções musicais direcionadas e focadas em musicoterapia.

Palavras-chave: Música. Emoção. Musicoterapia.

1 INTRODUÇÃO

            Muito se tem discutido atualmente sobre a música e sua influência direta nos seres humanos – influência que transita em vários lugares, contemplando desde aspectos fisiológicos do som, ao nível mais transcendental que essa arte de organizar sons e silêncios pode ocupar em nosso corpo, em nossa mente, espírito, enfim, em todo o conjunto complexo que traduzimos e conhecemos pela nomenclatura de ser humano.
Distintas áreas do conhecimento se organizam criteriosamente em atitudes científicas para pautar pesquisas que articulam música em suas relações causais, resultando em interessantes apontamentos de como a música nos afeta, ou ainda, em pesquisas mais específicas, que ou qual música nos afeta.
Quando falamos em atuação musical nas diversas áreas de um indivíduo, seja fisiológica, motora, emocional, social, psicológica, espiritual, entre tantas outras, do que exatamente estamos falando? O que exatamente se pretende conceituar?
Na busca por respostas, esta pesquisa tentará definições em várias disciplinas, promovendo saudáveis casamentos no que diz respeito à articulação de idéias em um prisma interdisciplinar, que trará diversas fontes de informação, da filosofia à ciência, e outras mais que assim vierem somar. Pois para tal estudo, é preciso que definições de música, bem como definições dos processos constituintes da emoção humana sejam bem explanadas, no direcionar de pontos cabíveis para questionamentos sólidos, embasando-se em híbrida literatura para essa imbricada relação.
Tendo de um lado a complexa música e de outro a complexidade das emoções humanas, e estando ambas em lugares que poderíamos chamar de subjetivos ou abstratos, é tendencioso que este escrito ganhe linguagem poética, pela descrição metafórica que se precisará acessar para a explicação deste ou daquele fenômeno.
Sendo assim, antecipo-me na tentativa da não romantizaçao deste estudo, antes, porém, defendo-me na própria semântica da linguagem verbal, que abre possibilidades de conotações para descrição de sentimentos e/ou sensações. Diferente da linguagem musical, que sem este conteúdo que movimenta significante e significado, traduz com maior facilidade uma emoção, sendo uma espécie de corporificação do sentimento, e então um caminho diferente para expressá-lo.
Logo, este pensamento pode se erguer como engendramento primário de uma problemática real para o desenvolvimento deste ensaio.

2 MÚSICA E SER HUMANO

            Sabe-se que enquanto sons agrupados, a música não é senão um corpo de ondas que vibram em certas freqüências, propagando-se em sua matéria física no meio inserida (LAZZARINI, 1998). Esta existência ondulatória vibracional e de freqüências, apenas por seus constituintes físicos, pode acessar áreas profundas de nossas estruturas neurais e psíquicas, suscitando de tais lugares, motivos comportamentais mensuráveis, porém imprevisíveis. Em outras palavras:
, propagando-se em sua matm em certas frequencia om maior facilidade um sentimento, como se fosse uma corporifica
[...] isolando o conteúdo psicossocial[1] que insere a música em um emaranhado de representações simbólico-culturais e significações, esta carrega em sua estrutura de fenômeno sonoro, um corpo de ondas que vibram em certas freqüências, e assim atingem diretamente o cérebro humano, podendo estimular desta estrutura, áreas que secundariamente promoverão mudanças ou transformações mensuráveis, tanto na estrutura, quanto nos comportamentos individuais e sociais gerais do ser-indivíduo que a experimenta (PAIVA, 2010, p. 5)

Sendo assim, música pode ser formatada em novas definições, podendo também ser deslocada de seu seguro território estético[2], pois se entendida como fenômeno sonoro, tudo o que soa pode ser uma potencialidade musical, assim, todo som está munido de estímulos, ou, todo som é o próprio estímulo, em qualquer nível que esta relação entre som e ser humano aconteça.
Tais conceitos se estreitam ao olhar que os cientistas musicais dão aos conteúdos sonoros. Para tomarmos exemplo, temos o nome de Murray Schafer (1977/2001, p. 20), quando diz: “Hoje, todos os sons fazem parte de um campo contínuo de possibilidades, que pertence ao domínio compreensivo da música. Eis a nova orquestra: o universo sonoro! E os músicos: qualquer um e qualquer coisa que soe! (grifos do autor)”
            Porém, pensando a música neste aspecto, e atestando sua existência desde épocas remotas, claramente percebe-se que este campo sonoro e contínuo de possibilidades é possivelmente inerente a própria existência humana, pois antes mesmo de ser chamada música, os sons já inundavam nossos ouvidos, e sua evolução foi em conseguinte a evolução do homem e homem civil, que em sua capacidade de socialização, socializou assim os sons, nos mesmos padrões de civilização, de agrupamentos e organizações – nasce a música.
De acordo com Bertinato (2006):

A história humana, desde o início, é povoada por sons. Enquanto vibração (onda) que se propaga pelo ar, chegando ao ouvido e sendo percebida pelo cérebro, o som povoa a existência humana em cada uma de suas fases ao longo da história. [...] [e] em qualquer ambiente habitado pelo ser humano o som tem sempre o potencial de ser usado como matéria-prima de uma arte – a música. Esta é a organização do mundo sonoro pela mente humana. É uma tentativa de estabelecer ordem em meio ao caos sonoro do ambiente. Melhor ainda: como todas as outras artes, é uma tentativa de dialogar com este caos por meio de ordens propostas.[3]

            No sentido de a música retratar uma tentativa de diálogo com o caos sonoro, propondo desta relação (música/meio) uma ordenação, sobressaltam apontamentos que emergem da consideração de que a música se relaciona com o ser humano dentro de uma realidade dinamicamente cultural. Pois, cada ordenação proposta a partir da música se trava em um ambiente de caos sonoro, sugerindo essa mesma ordem, apenas ao ambiente que este caos é validado. Ou seja, a ordem proposta neste ambiente, não será a mesma ordem que se proporá naquele, pois ambos contemplam diferentes campos de caos – sonoros e ambientais.
Logo, sendo música uma estrutura nascida dessa ordem, ela apenas será compreendia dentro de um contexto cultural, sem dizer das interferências do indivíduo que a executa ou a cria, quando despeja nessa prática, sua individual e interna musicalidade, bem como sua percepção de mundo, significações, representações etc., que já são naturalmente, influenciadas pelo próprio meio:

Toda cultura possui o seu próprio ritmo, no sentido em que a experiência consciente é ordenada em ciclos de mudanças de estação, de crescimento físico, de empreendimento econômico, de profundeza ou de amplitude genealógica, de vida presente e vida futura, de sucessão política ou de outros fatos periódicos quaisquer aos quais se confere uma significação (BLACKING, John. Apud. MORAES, 1991, p.19).[4]

            Enveredando-se neste processo de culturalização dos sons (que são recorrentes dos fenômenos naturais e periódicos do meio, e no tempo, sugerindo a formação de um ritmo), – a saber – música convencionada e padronizada culturalmente, chega-se na idéia de que a música enquanto estrutura é um retrato da história e cultura, e sua significação será emprestada do conteúdo de significações do indivíduo atribuidor.
            Ora, se o homem se relaciona com os sons desde sua gênese civil, e a evolução da massa humana responde de igual modo à evolução musical, esta última ganha formato distinto em cada lugar, que vai depender de qual massa humana[5] a articulou e engendrou sua estrutura; para qual finalidade e/ou funcionalidade essa arquitetura musical se construiu, e ainda, qual tipo de arquitetura musical se construiu.
            Assim, é possível sugerir que sons e músicas não carregam em si significações próprias, antes, necessitam de um ser que os atribua (enquanto signos), representações que só serão compreendidas dentro de seu contexto de formulação – do indivíduo para a música, ou na dinâmica de estrutura social: cultura – música.
Herder (1807) traduz este conceito em uma inteligente afirmação, quando declara em frase assertiva: “Nada é mais exclusivamente nacional e mais individual do que os prazeres do ouvido.”[6]
            Neste contexto, os prazeres do ouvido serão entendidos (enquanto prazeres[7]) dentro de um conteúdo exclusivamente nacional, neste caso, música pode ser definida como resultante dos processos de formação das identidades culturais, onde a não compreensão destes processos esvairia qualquer tentativa de compreensão dos domínios sonoro-musicais, enquanto cultura.
            Estes estreitamentos da música à cultura são de grande relevância, pois articulando os sons musicais perto dos prazeres do ouvido (emoções humanas), entenderíamos a possível ligação entre esses dois campos, partindo do ponto conceitual em que o comportamento emocional pode ser um processo de também reprodução sócio-cultural, ou melhor, um processo de re-significação e introjecção de símbolos pré-existentes, aprendidos na vida social[8], assim as emoções e a música estariam em lugares comuns, facilitando o diálogo entre duas classes que perceptualmente erigem-se sem semelhança, ao passo que se afunilam, assemelhando-se intrincadamente.


[1] O que faz jus à psicologia individual e à vida social, de acordo com o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2010.
[2] Refere-se à estética tonal do ocidente, que insere a música em padrões rítmicos, harmônicos e melódicos, fechando as possibilidades de explorações sonoras e de experimentações dos sons.
[3] Ibid., p.1.
[4] BLACKING, John. Apud. MORAES, O que é Música, 1991, p.19. Citado por BERTINATO, 2006, p. 2.
[5] Massa humana aqui é colocada como povo, sociedade, grupo; qual massa humana = qual cultura.
[6] Herder. Apud. BENDIX, Regina. The Pleasures of the ear: Toward an Ethnography of Listening, 2000.
[7] O sentido de prazer está exatamente no prazer emocional de um ouvido culturalizado; Digerindo sons conhecidos culturalmente, o ouvido conota o corpo e a mente a uma experienciação de prazer musical.
[8] Cf. LEVI-STRAUSS, 1978/1985.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Músicos de rua sofrem constantes perseguições de fiscais da subprefeitura da Sé.

Cláudio Gomes em frente a sede da subprefeitura da Sé.

Por Marcos Santos

O Sindicato dos Músicos no Estado de São Paulo realizou na tarde de (ontem) quarta-feira uma fiscalização no centro da capital para apurar as condições em que os músicos de rua estão sendo tratados. Os pontos fiscalizados foram: Praça da Sé e região, Praça da República, Praça Ramos e outros. Já na primeira abordagem na Rua XV de Novembro, o jornalista da entidade, Marcos Santos presenciou uma cena no mínimo desumana, mas comum. Fiscais da subprefeitura da Sé acompanhados de duas viaturas da Polícia Militar abordaram de maneira truculenta e vexatória os músicos Cláudio Gomes da Silva que também é cadeirante, Edvaldo Batista e Lucinalva Morena. Sem esboçarem nenhuma reação, eles foram obrigados a se retirar do local senão, teriam seus instrumentos apreendidos. 



Diante da humilhação, medo e vergonha não lhes restaram  outra alternativa senão, recolherem seus pertences diante da impossibilidade de diálogo mesmo lhes apresentando a carteirinha da Ordem dos Músicos do Brasil. Imediatamente o repórter procurou o chefe dos fiscais Raul Mantovani na sede da subprefeitura que fica há alguns metros dali para saber o motivo daquele procedimento ilegal. Porém, foi recebido pelo funcionário público de forma áspera e total frieza em relação ao caso, além da indiferença com relação à entidade sindical alegando estar atendendo aos pedidos de pessoas e comerciantes que trabalham próximos dali. O caso ficou caracterizado como perseguição à classe dos músicos e por isso o Sindmussp repudia este tipo de atuação e encaminhará o caso ao subprefeito Alcides Amazonas e Juca Ferreira -secretário da cultura que, com toda certeza não estão sabendo deste tipo de procedimento. “ Os músicos que trabalham nas ruas não podem ser tratados dessa maneira. Repudiamos todo tipo de violência contra a nossa classe. Não estamos mais na ditadura e, portanto, não podemos tolerar este tipo de perseguição e afronta aos nossos trabalhadores”. Ponderou Gerson Tajes. O sindicalista ainda frisou que vai marcar uma reunião com as autoridades para juntos discutirem e definirem algumas medidas para organizar melhor os locais onde os músicos poderão trabalhar sem sofrer perseguições e afrontas dos fiscais municipais, Guarda Civil Metropolitana e Polícia Militar, já que, de acordo com a  lei 15.776/2013 o artista está totalmente garantido quanto  a liberdade de manifestação artística nas ruas da cidade. De acordo com o site da prefeitura de São Paulo, os artistas podem se apresentar nos parques e ruas da cidade,  desde que obedeça alguns critérios Eles não poderão ficar em frente às guias rebaixadas, portões de acesso prédios, repartições públicas, residências, farmácias e hotéis. Também não poderão obstruir acesso a hidrantes e válvulas de incêndio ou tampas de bueiros, por exemplo. “A presença dos artistas na rua é muito boa. São Paulo está vivendo um momento de retomada das ruas, da convivência, da manifestação de cidadania, das artes e da cultura. Os artistas engrandecem o espaço público”, disse o secretário da Cultura, Juca Ferreira ao site da prefeitura. O decreto também determinada que os artistas podem ficar até quatro horas na rua ou no parque. E quando a apresentação tiver som, não pode ultrapassar as 22h. A fiscalização será feita pela Subprefeitura da área e pela GGM (Guarda Civil Municipal).
Foto: Marcos Santos
 “O que nós queremos é que essa lei e regras funcionem de forma justa e organizada à todos. Todos precisam ter a mesma oportunidade já que dependem deste trabalho para sustentar suas famílias. Não podemos ficar de braços cruzados assistindo os nossos trabalhadores sofrendo todo tipo de humilhação e falta de respeito como fora em 48 anos. Eles não estão mais desamparados e nem abandonados como antes”. Concluiu Alemão. O presidente Gerson disse ainda que independente de ser associado, o sindicato está à disposição da classe musical do estado de São Paulo e vai lutar até o fim para garantir o direito e, acima de tudo, o respeito e a dignidade desses trabalhadores. Os músicos vítimas dessa ação desastrosa e arbitrária dos fiscais vieram hoje pela manhã conhecer a entidade e surpresos, não sabiam que estão amparados e até já confirmaram suas filiações. “Graças a Deus que vocês (Sindmussp) chegaram na hora certa senão nós iríamos perder os nossos instrumentos”. Desabafou Cláudio Gomes (tecladista).  

Saiba mais sobre a lei acessando: 

www.prefeitura.sp.gov.br
Fiscal exigindo a saída imediata do músico senão serão apreendidos os seus instrumento.
Foto: Marcos Santos
Fabiano se apresenta todos os dias em frente ao Teatro Municipal sem sofrer nenhum represália dos fiscais.
Foto: Marcos Santos


Aglomeração do público em frente ao Teatro Municipal contraria totalmente a
abordagem desastrosa dos fiscais em relação ao artista de rua.
Foto: Marcos Santos


Foto: Marcos Santos





terça-feira, 9 de setembro de 2014

Projeto de fanfarra do Sindmussp começa na zona leste em Itaquera.

”Disciplina, Responsabilidade e Respeito”. Três palavras que ecoaram em alto e bom som vibrante, da voz dos trinta e cinco alunos revelando a seriedade e comprometimento de cada um, sob o comando do maestro Levy ao iniciar os ensaios da fanfarra.  
Foto: Marcos Santos
Maestro Levy iniciando o trabalho com a ordem unida.

Buscando ampliar os trabalhos sociais de levar música ás regiões carentes de São Paulo, o Sindicado dos Músicos está reforçando o seu time de colaboradores. Há um mês, o mais novo delegado sindical e maestro Levy Alves Silva está desenvolvendo um importante trabalho de inclusão social no Conjunto José Bonifácio em Itaquera- zona leste. Isso só está sendo possível porque foi firmada uma parceria do Sindmussp junto a Secretaria Estadual de Cultura e acordado com o governo do estado, a distribuição de  kits de instrumentos musicais específicos para fanfarras à esses estabelecimentos de ensino. 
Foto: Marcos Santos
O maestro Levy exibindo sua carteirinha de delegado sindical.

O presidente Gerson Tajes e o maestro Levy Alves Silva estão visitando essas escolas, levando informações detalhadas sobre o projeto da fanfarra e conscientizando os diretores sobre a importância desse trabalho que, de acordo com a lei nº 11.769 sancionada pelo presidente Lula em agosto de 2008 definindo a música como parte do currículo da educação básica das escolas públicas, já deveria estar bem avançada sendo que o prazo para cumprimento da lei era de três anos após sua publicação. Porém, ainda não aconteceu na imensa maioria dos colégios. 

O fato é que, o governo não preparou e nem capacitou pessoas para o ensino teórico e prático dessas atividades e, portanto, faltam profissionais para o preenchimento dessa grade curricular. Sabendo da importância que a música exerce como ferramenta de inclusão social, o Sindmussp resolveu tomar a frente dos trabalhos. “O nosso objetivo é fazer com que o instrumento musical chegue primeiro nas mãos dos nossos jovens, ao invés de armas e drogas". Ponderou Alemão. Segundo o maestro   João Carlos Martins em entrevista ao site Observatório da Imprensa, a música tem um poder transformador para construção de uma sociedade menos violenta e conclui: A música é muito poderosa, desperta amor nas pessoas, em quem toca e em quem ouve. A música pode ser melhor usada no combate ao flagelo da violência, especialmente junto aos jovens envolvidos com drogas e o crime organizado. Os administradores e formuladores de políticas públicas ainda não se deram conta do poder transformador da música. Digo sempre que a música é a “régua do mundo”. Se um governo vai bem, se uma empresa vai bem, se uma família vai bem, todo mundo fala que funciona como uma orquestra porque uma orquestra é o símbolo de harmonia”.
Foto: Marcos Santos
Maestro João Carlos Martins recebe Gerson Tajes em seu camarim antes do ensaio.
Baseado nesse e, em tantos outros relatos, essa é a máxima que o Sindmussp pretende implantar e, após a expansão e consolidação dos trabalhos, será possível ouvir o som agradável da música ecoando em cada esquina dos bairros periféricos, em vez de tiros, violência e choros das famílias . A primeira a implantar o projeto é a Escola Estadual Indiana Zuichyr Simões de Jesus na Cohab II em Itaquera dirigida por Terezinha Ramalho e a segunda é a  Escola Estadual Salvador Allende Gossens que está aguardando a chegada do kit fanfarra. Bem organizado, o colégio Indiana já conta com trinta e cinco alunos. Aqueles que se destacam nos ensaios ganham brindes como incentivo ao comprometimento. Mariana da Silva (9) Kauã Fernando (9) e Laryssa Rodrigues(12)  foram os premiados de hoje. As aulas são divididas em duas etapas: terças e quintas os alunos estudam percussão, quartas e sextas sopro e, os horários são das 11h30 às 12h45. 
Foto: Marcos Santos
Mariana, Kauã e Laryssa exibem as fotos que ganharam.

 Maestro Levy Alves dá um show de cidadania por meio da música.

Há mais de quarenta anos envolvido com música, o maestro Levy possui uma vasta experiência nessa área, já foi regente de bandas civis e militares. Como trabalho de inclusão social, o músico levou esse projeto para diversas unidades dos Centros de Educação Unificadas - CEU na zona leste de São Paulo entre eles: CEU Aricanduva, Azul da Cor do Mar, CEU Tiradentes, Água Azul e outros, nos quais formou uma orquestra jovem com cento e vinte integrantes além do coral. Foi por meio da Associação Meninos do Toque Tambor que o maestro chegou até essas unidades dos CEUs. “Esse projeto foi muito bom porque eu dava aula de todos os instrumentos: violão, violino, violoncelo, viola, contrabaixo, trompete, saxofone, flauta doce, trombone e muitos outros”. Destacou Levy .
Foto: Marcos Santos
Os alunos desses bairros periféricos tinham aulas teóricas e práticas e quando já estavam dominando as técnicas musicais participavam de apresentações em eventos. Pastor Levy como também é conhecido, já liderou trabalhos em várias igrejas evangélicas e até um coral italiano, inclusive, esse mesmo coral teve uma participação especial na abertura da novela global Terra Nostra. Porém, apesar dessas prazerosas experiências, segundo o maestro, o momento mais emocionante de toda sua trajetória na música foi na visita do Coronel General da China ao Brasil em junho de 1994. Na época, o 1º Tenente Levy regia o coral do 2º Batalhão de Guarda do Exército e para surpresa do Ministro de Defesa da China, os músicos, com a aprovação do Consulado Chinês executaram o hino nacional em mandarim. Com mais de trinta anos no Exército Brasileiro, Levy fez uma carreira brilhante e cheia de expressivas conquistas na área da música. Ainda soldado, começou como corneteiro clarim em 17 de janeiro de 1973. Dois anos depois fora promovido a graduação de Cabo Músico por ter sido aprovado em concurso de habilitação. Em 1976 e 1977 fora designado a dar treinamentos e preparar alunos para fanfarras de escolas de Campinas para comemorações da semana da Pátria. Em 1º de junho de 1978 foi promovido á graduação de 3º Sargento Músico.


No mesmo ano, fora transferido para o 2º Batalhão de Guardas por ter sido classificado naquela OM. Seis anos mais tarde recebia sua quarta promoção: 2º Sargento Músico em 1º de junho de 1984. Dentre outras missões, foi ressaltado o excelente desempenho do militar durante as solenidades de Guarda de Honra ao Ministro do Exército, e, acima de tudo, pela versatilidade demonstrada nas execuções das variadas músicas populares, marchas militares, clássicos eruditos em retreta na semana do Exército. Em maio de 1987 foi designado para selecionar e ensaiar o coral da 3ª Companhia da Guarda.  Dois anos depois conquista o título de 1º Sargento Músico em concurso de habilitação ficando em primeiro lugar. 

Em 1991 completa um ciclo de trezentas e quarenta missões com a Banda de música, sacrificando inclusive, suas férias para realizar treinamentos e solenidades. Além disso, o Sargento Levy prestou assistência espiritual e religiosa ao 2º Batalhão da Guarda em 1995 devido a ausência do capelão. No mesmo ano foi condecorado com medalha militar de prata por completar 20 anos de bons serviços prestados ao Exército. Em 1996 foi promovido a Subtenente por merecimento. Atuou com essa patente por seis anos e meio. Em 1º de junho de 2003 foi promovido a 2º tenente por merecimento, mas antes disso deu aulas na EsPCEx onde foi transferido por questões de necessidade  em maio 1999. Hoje, reformado e com a patente de 1º Tenente, o maestro Levy dedica todo o seu tempo e talento para ensinar música à jovens e crianças e segundo ele, este projeto irá expandir-se para as zonas: norte, sul e oeste.  
 
Foto: Marcos Santos
Alunos se preparando para o ensaio da fanfarra.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Sindmussp leva ensino de música à trabalhadores de usina de reciclagem.

Presidente Gerson Tajes, Levy Alves Silva e representantes da Usina Revira Volta

Numa iniciativa pioneira, Sindmussp está ampliando seus projetos de inclusão social por meio da música em diversos segmentos da sociedade, sempre com o objetivo de fomentar a cultura e, acima de tudo revelar talentos escondidos em bairros periféricos da capital paulista. Muitos por falta de oportunidade nunca tiveram acesso a algum tipo de instrumento musical e outros simplesmente abandonaram devido a falta de incentivo, porém, começa um novo tempo na vida de dezenas de músicos anônimos que veem na música uma forma de interagir com outros públicos e, sobretudo, difundir a arte em forma de música.O local escolhido é a Coorpel Cooperação na Reciclagem Papel e Papelão localizado na rua 25 de Janeiro, 274 - Luz/São Paulo . Gerson Tajes-presidente se reuniu nesta manhã com a assistente técnica da Rota da Reciclagem Revira Volta -Vivian Lima da Silva, Levy Alves- maestro e delegado sindical, Ricardo Patah-presidente da UGT e Sebastião Nicomedes-Sindicato dos Rodoviários. Ficou decidido que o Sindmussp realizará um festival de música no espaço com moradores de rua e funcionários da usina. O primeiro passo será ensinar os trabalhadores e depois colocar em prática os ensinamentos.  Vivian a representante da da Coorpel, disse que esse projeto pode ir além do ensino, ou seja, os trabalhadores poderão desenvolver os próprios instrumentos com o material recolhido nas ruas. Essa nobre iniciativa do Sindmussp em parceria com a usina de reciclagem contribuirá não apenas com a preservação do meio ambiente, mas, acima de tudo, estará promovendo  a cultura e incentivando as pessoas a aprender uma modalidade artística essencial para a sociedade. 
Sebastião falando do projeto aos trabalhadores da usina.


Conheça a Rota da Reciclagem

O site Rota da Reciclagem é mais uma ação da Tetra Pak a favor da reciclagem e em defesa do meio ambiente. Este espaço mostra de forma didática como qualquer pessoa interessada pode participar do processo de separação e entrega das embalagens longa vida para reciclagem. In forma ainda onde estão localizadas as cooperativas de catadores, as empresas comerciais que trabalham com a compra de materiais recicláveis e os pontos de entrega voluntária (PEV) que recebem embalagens da Tetra Park. Este é um serviço que está em constante atualização e você pode contribuir bastante pra isso. Caso conheça alguma iniciativa de coleta seletiva,seja Cooperativa, Comércio ou PEV, que não esteja listada; nos informe para possamos incluí-la! Assim podemos trabalhar juntos para aumentar essa cadeia de reciclagem.
Saiba mais acessando: www.rotadareciclagem.com.br

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Músicos de São Paulo agora têm uma representante na Assembleia Legislativa.

Presidente Gerson Tajes recebeu nesta tarde a musicista e candidata à Deputada Estadual pelo PTB Diversidade: Maúde Salazar.  Ela conheceu as dependências do Sindmussp e parabenizou toda a diretoria pela nova proposta de trabalho e confirmou o seu apoio aos projetos que a entidade sindical vem desenvolvendo usando a música como ferramenta de inclusão social.
Foto: Marcos Santos
Maúde Salazar exibindo o resultado da Decisão Judicial.


 Defendo uma educação solidificada, embasada pela cultura, arte e a música. Creio que estas ações, facilitarão o desenvolvimento da inteligência emocional focando no aprendizado cooperativo onde nossas crianças e jovens, poderão evoluir de forma consistente aprendendo os valores da liberdade e do repeito”. Destacou Salazar. Musicista lírica, ela é uma lutadora incansável pela causa dos músicos e suas demandas, pois conhece as dificuldades que o profissional da música encontra para ser reconhecido não só na sociedade como também pelos órgãos governamentais.
“Maúde, suas propostas convergem sistematicamente com os nossos ideais. “Queremos firmar o nosso total apoio a sua candidatura. Eleita, que a senhora possa nos ajudar a fortalecer a nossa classe musical e dar aos profissionais que tentam viver da música, dignidade e respeito.” Enfatizou Alemão.

Voz da candidata:
Sou uma candidata diferente, buscando resultados diferentes.
Sou Cantora Lírica, Professora e Escritora.
Trago na bagagem a cultura, a musica, o teatro, a dança, a educação e a espiritualidade sem preconceito. 
Acredito que a vida de todo ser vivo é muito preciosa e deve ser protegida a todo custo.

Fui convidada a me candidatar pelo PTB Diversidade, pela sua presidente, Maria Fuentes, pois ela entendeu que meu trabalho na comunidade era diferenciado. Que eu poderia trazer à sociedade e ao partido possibilidade de verdadeira realização.
Foto: Marcos Santos

Levanto a bandeira daqueles que como eu está indignado com a situação política caótica deste pais. Resolvi que faria a diferença e levantar a bandeira da diversidade, agora em época de eleição para dar as pessoas uma alternativa limpa, clara e nova, pois ainda acredito que tudo pode melhorar se as pessoas que realmente querem ver a mudança derem um passo em direção a esta mudança. E aqui estou eu dando o primeiro passo nesta direção. Eu represento a todos aqueles que não se cansam de lutar e brigar com todas as armas do bem que conhecem, seja a caneta, o ensino, a arte, a musica e em outros segmentos.

Faço parte do segmento da sociedade que nunca baixam as armas, lutando incansavelmente por tudo que acreditam ser bom e justo.
Eu acredito que juntos faremos a diferença com a Diversidade pela Liberdade.

Minhas Propostas

A cultura, a liberdade, a igualdade, a inclusão social e cultural, diversidade e proteção ao animal e ao planeta.


Saiba mais acessando o site: http://www.maudesalazar14007.com